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O meu milagre



Foto tirada pela Camila Marchetti


De acordo com o Jonh Green em cidades de papel todo mundo tem o seu milagre, uns ganhavam na loteria, outros adoeciam e no livro o milagre era Quentin ser vizinho de Margo. Eu percebi que eu tinha um milagre também, eu fiquei doente.

Foi um início de ano conturbado, uma internação hospitalar desagradável, semanas dormindo q base de remédio, hidratação a partir de soro na veia, banho tomado com ajuda, alimentação só se alguém desse na minha boca, e por aí foram inúmeras coisas. A disfunção era renal, eles haviam parado, sim meus rins não queriam mais funcionar. Entretanto esse ainda não era o meu milagre. 

Era só uma consequência da doença que ainda viria a ser descoberta em meu corpo, só um detalhe que eu teria de cuidar, o monstro em mim era ainda maior, como muitos dizem por aí o lobo em mim acordou e simplesmente resolveu me atacar. 

Depois de muitos exames, muitos remédios eu viria a sair do hospital, ainda com suspeita do que causava aquilo tudo. Num dia eu estava em casa lutando contra a acne em meu rosto e no outro com a morte, ou a luta era com a vida, não sei. Tudo o que eu mais queria era me formar, continuar trabalhando, pintando o cabelo, maquiando o rosto, indo ao cinema, lendo livros, mas nada disso iria voltar a acontecer tão cedo, primeiro os médicos precisavam me dar um parecer.

Eu passei cerca de um mês negando a mim mesma aquela doença, eu não queria de jeito nenhum, não era possível que aquilo seria o meu milagre assim como Margo era o milagre de Quentin. 

Tudo ficaria mais fácil quando eu aceitasse a doença e começasse a trata lá, mas dentro da minha cabeça aquela vida não era minha, aquela doença não me pertencia, aquela Lúpus não era real. Eu precisava fazer uma escolha, ou eu convivia com a doença ou a doença conviveria comigo. Somente quando optei pela primeira que percebi o meu milagre.

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