anne.

26/12/2014

A gente acha que consegue planejar tudo e escrever a nossa própria história do começo ao fim e descrever cada detalhe. Tolice, pura idiotice, independente da sua crença tem algo maior guiando, traçando, sinalizando nosso caminho. Pode ser Deus, pode ser o universo, as coincidências, os sonhos, a vida, as profecias, existem milhões de nomes para isso e você pode não acreditar, mas "isso" acredita em você. Todos temos nossas escolhas e podemos decidir pra onde iremos, mas tem coisa na vida que simplesmente acontece, tudo pode acontecer e nada é por acaso. 

Eu já o conhecia há cinco anos e temos um histórico de amor no meio da nossa misteriosa "amizade". Cada um tinha sua vida, seus amigos e seus amores, mas de alguma forma nossa ligação nunca ficou mais fraca e sim o contrário. Era mês de dezembro e fazia um calor infernal, a sensação era de 50ºC no Rio de Janeiro e eu curtia um sol na praia de Ipanema com minha amiga esperando ele chegar. Eu só queria conhecer e matar a curiosidade, eu não tinha segundas intenções e só pra constar a princípio eu nem tava nervosa nem nada do tipo. 

Ele saiu de casa no meio da tarde e chegaria por volta de seis horas a tempo de ver o por-do-sol, eu estava no aguardo sem ansiedade nem nada e ele super nervoso, devia ta suando frio na hora nem sei. Chegou uma hora que apenas cinco metros nos separavam e eu não conseguia nem olhar pra ele, eu tava absorta em minha mente tentando pensar em qualquer outra coisa. Dois covardes, dois amantes que não tinha coragem de se aproximarem. O tempo, o movimento, tudo parecia que sabia exatamente o que estava acontecendo, o amor estava no ar. 

Mal sabia eu o que me aguardava, aquele primeiro encontro foi muito esperado, foi planejado e treinado várias vezes por ambas as partes. Estávamos frente a frente um do outro, mudos é claro. Todas as lembranças, cada conversa, cada sorriso, cada lágrima pairava no ar esperando a primeira atitude. Meu coração nunca bateu tão forte, o resto do mundo nunca foi tão pequeno e as outras pessoas nunca pareceram tão figurantes. Eu mal conseguia responder as perguntas dele sobre nós dois, eu estava deixando o lado racional tomar conta de mim. Eu precisava pensar duas vezes antes de agir, antes de falar, eu tinha que considerar todas as pessoas envolvidas, embora meu coração queria muito olhar nos olhos dele e deixar tudo fluir naturalmente como tinha de ser. 

Não sei que horas eram, mas já estava bem escuro e ele ainda falava de amor, da gente, do passado, do futuro e do presente, eu estava na fila do banheiro de um lado da grade e ele do outro. Já era tarde e eu estava cansada, meio alta já e cada vez era mais difícil segurar aquilo que chamamos de agir por impulso. Eu não lembro exatamente em que ponto da conversa estávamos, mas eu o beijei. Beijei-o. Eu. Lindo. Flores. Arco-iris. Fogos de artificio. Estrelas. Frio na barriga. Borboletas no estomago. Durou cerca de dois segundos até eu começar a chorar. Eu nunca vou esquecer de como foi, da sensação, de como os lábios dele se encaixaram perfeitamente nos meus. 

26 de Dezembro de 2014 foi o dia em que eu beijei o amor da minha vida pela primeira vez. 

Anne Caroline 01/01/2015

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