anne.

Quando o plural (nós) se transforma em singular (eu)

Os dias parecem cada vez mais longos e é difícil pensar que agora eu estou sozinha, que eu devo pedir uma pizza pequena, um convite apenas e nada de acompanhantes, um ingresso para o cinema e uma cama de solteiro.

Terminar o relacionamento nunca foi fácil, ser abandonada muito menos, agora tentar se libertar de uma relação em que nunca começou e você amou sozinha é ainda mais intrigante. Hoje fazem três dias que nenhum dos dois da o braço a torcer, eu porque preciso me livrar de um peso no coração e ele porque, oras, porque sim, ele é do jeito que é. 

Todos queremos alguém, para amar e sermos amados, mas será que realmente precisamos nos diminuir tanto a ponto de aceitarmos tão pouco do que merecemos? Ou realmente essa atitude carente e desesperadora nos joga a um rumo onde temos o amor que merecemos? A ficha caiu, eu estava em um relacionamento sadomasoquista, estava enebriada pela dor que ele me causava, e só agora pude ver que eu precisava me libertar e parar de mendigar um amor do qual eu não sou digna, era muito pouco para mim.

Agora cá estou eu, tentando me livrar de um vício que só me trouxera dor ao invés de prazer, que me trouxera insônia ao invés de sonhos, que me proveu lágrimas ao invés de sorrisos. Acho que as pessoas quando estão sofrendo dão muito valor a tristeza, a dor e a angustia, será que não tem um jeito mais fácil? Qual seria um remédio para curar uma infecção emocional? 

Todo mundo precisa ter o coração partido ao menos uma vez na vida, a dor emocional traz amadurecimento, traz experiência e esperteza. Quando eu me olhei no espelho hoje percebi que aparentava cerca de 30 anos. Só eu sabia que por traz daquele cabelo sujo, daquele moletom com capuz, daquele jeans velho e daquele all star tinha uma jovem de 20 anos, linda e inteligente, que não merecia o amor que recebia. Foi ai então que eu decidi que precisava me livrar do que estava me causando mal, e certamente eu não estava falando das minhas roupas ou do meu cabelo. 

My first love broke my heart for the first time. Depois de muito pensar eu mandei uma mensagem a ele e falei que a gente ia parar por ali mesmo, chega de brincar com os meus sentimentos, chega de mendigar amor, nada de joguinhos ou bolos que eu levava, acabaram-se as frustrações e a raiva, chega de promessas vazias e fim a um relacionamento vazio e sem futuro. Mas porque ainda assim sentimos saudades? Já que temos a certeza que não queremos prazer na dor porque os dias são tão longos? E por que as olhadas nos celulares são tão frequentes?

Chegamos ao ponto onde ficar solteira não é aceitável para nós mesmas ou realmente merecíamos aquele pouco tão pouco amor e agora estamos sofrendo sem ele? É preciso encarar a realidade e os limites de uma relação, nós mulheres queremos algo tão inalcançável assim? Será que pensamos que somos perfeitas e estamos insatisfeitas? Mulheres e suas histórias, cada uma com a sua. Está na hora de eu começar a escrever um novo capítulo da minha vida com um novo alguém, ou não. 

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